domingo, 17 de abril de 2016

MEDIUNIDADE


Fui convidado por uma casa amiga para palestrar sobre este tema, mediunidade, assunto muitas vezes esquecido ou desmerecido, de sua importância, que tem na vida comum, pela humanidade e incrível que poça parecer por alguns irmãos da seara espírita. Temos nesta existência uma oportunidade de renovação e sublimação, e que o conhecimento e uso adequado da mediunidade oferece-nos oportunidade de redenção e sublimação.

Evidentemente que para tanto não posso deixar de me abastecer da literatura espírita, rica em conteúdo sobre este assunto. Começo com o nobre codificador, Allan Kardec, no Livro dos Médiuns, em sua introdução, que nos esclarece: 159. Toda pessoa que sente, em um grau qualquer, a influência dos Espíritos, por isso mesmo, é médium. Ainda acrescenta: Esta faculdade é inerente ao homem e, por consequência, não é privilégio exclusivo; também são poucos nos quais não se encontrem alguns rudimentos dela. 

Pode-se, pois, dizer que todo mundo é, mais ou menos, médium.

Parece muito contundente a afirmação de Kardec deixando claro que todo mundo seja, mais ou menos médium. Mas esta afirmativa, se observarmos alguns indicativos, poderemos entender os motivos que o levam a assumir este conceito. Quem de nós já não teve algum pressentimento? Quem nunca viu alguém que teve a impressão de já conhecer? E mais, não viveu situações que pensou já ter vivido em outro momento. Na linguagem popular estes fatos já foram classificados com Déjà Vu, mas à luz do espiritismo estes são rudimentos de mediunidade, que podem estar relacionados ao que conhecemos como intuição ou lembranças de seres ou fatos que realmente já foram traçados para vivenciar conosco, na vida presente, e que tiveram algum tipo de aproximação em vidas passadas, traço das vidas sucessivas, necessárias para nosso amadurecimento e importantíssimas para a evolução intelecto-moral.

José Herculano Pires, no Livro Mediunidade, a define da seguinte forma: “Médium quer dizer medianeiro, intermediário. Mediunidade é a faculdade humana, natural, pela qual se estabelecem as relações entre homens e espíritos. Não é um poder oculto que se possa desenvolver através de práticas rituais ou pelo poder misterioso de um iniciado ou de um guru. A mediunidade pertence ao campo da comunicação. Desenvolve-se  naturalmente nas pessoas de maior sensibilidade para a captação mental e sensorial de coisas e fatos do mundo espiritual que nos cerca e nos afeta com as suas vibrações psíquicas e afetivas.”

Neste conceito vale destacar o alerta do escritor quando se preocupa com o fato da mediunidade ser utilizada de forma inadequada, quando diz: “Não é um poder oculto que se possa desenvolver através de práticas rituais ou pelo poder misterioso de um iniciado ou de um guru.”

Mediunidade é coisa séria, um dom concedido por Deus para que os revestidos por essa percepção devam honrar o compromisso assumido de contribuir com a evolução da humanidade e ajudar irmãos encarnados e desencarnados, dando amparo, compaixão, orientação e amor.

A Mediunidade pode se manifestar de várias formas. Kardec classifica as diversas formas sensoriais, apresentadas pelos médiuns, a saber:

Médiuns de efeitos físicos, Médiuns sensitivos, Médiuns audientes, Médiuns falantes, Médiuns videntes, Médiuns sonâmbulos, Médiuns curadores e Médiuns pneumatógrafos.

Os médiuns de efeitos físicos são mais especialmente aptos a produzirem fenômenos materiais, tais como movimentos dos corpos inertes, os ruídos, etc.

Os médiuns sensitivos são pessoas suscetíveis de sentirem a presença dos espíritos por uma vaga impressão, uma espécie de roçadura sobre todos os membros, da qual não podem se dar conta. Nesta classificação de médiuns sensitivos Kardec chega define também como impressionáveis e assim destaca: todos os médiuns são necessariamente impressionáveis e a impressionabilidade, assim, é antes uma qualidade geral do que especial, é a faculdade rudimentar indispensável ao desenvolvimento de todas as outras.

Os médiuns audientes são os que ouvem a voz dos espíritos. E destaca: como dissemos, falando da pneumatofonia, algumas vezes é uma voz íntima que se faz ouvir no foro interior; de outras vezes é uma voz exterior, clara e distinta como a de uma pessoa viva.

Médiuns falantes são os que os espíritos atuam sobre os órgãos da palavra, como atua sobre a mão dos médiuns escreventes. O espírito, querendo se comunicar, serve-se do órgão no encontra mais flexibilidade no médium. Destaca que a passividade de um médium falante não é sempre bastante completa; há os que a intuição do que dizem no próprio momento em que pronunciam as palavras.

Os médiuns videntes são dotados da faculdade de ver os espíritos. Há os que gozam dessa faculdade no estado normal, quando estão perfeitamente despertos, e dela conservam uma lembrança exata; outros não têm senão no estado sonambúlico ou próximo do sonambulismo. O codificador nos alivia informando que esta faculdade raramente é permanente e é, quase sempre, o efeito de uma crise momentânea e passageira.

Quanto aos médiuns sonambúlicos, afirma que o sonambulismo pode ser considerado como uma variedade da faculdade medianímica, ou melhor dizendo, são duas ordens de fenômenos que, com muita frequência, se encontram reunidas. O sonâmbulo atua sob a influência de seu próprio espírito; é sua alma que, nos momentos de emancipação, vê, ouve e percebe fora dos limites dos sentidos; o que ele exprime, haure em si mesmo; suas ideias são, em geral, mais justas do que no estado normal, seus conhecimentos mais extensos, porque sua alma é livre.

Sobre médiuns curadores, Kardec alerta ser um tema que exige maior aprofundamento no assunto, mas explica que esse gênero de mediunidade consiste principalmente no dom que certas pessoas têm de curar pelo simples toque, pelo olhar, por um gesto mesmo, sem o socorro de nenhuma medicação. Dir-se-á, sem dúvida, que isso não é outra coisa do que o magnetismo.

Aos médiuns pneumatógrafos, dá-se esse nome aos que são aptos a obterem a escrita direta, o que não é dado a todos os médiuns escreventes. Esta faculdade, afirma Kardec, até o presente é muito rara; se desenvolve provavelmente pelo exercício.

Entre tantas faculdades mediúnicas, temos também que destacar, que na via do seu desenvolvimento e de sua demonstração, a mediunidade pode ser mecânica, intuitiva, semi-mecânica, inspirada ou involuntária e de pressentimento, que podem se apresentar através da psicografia ou psicofonia.

A mediunidade mecânica ocorre quando o médium não tem a menor consciência do que escreve ou comunica; a inconsciência absoluta, neste caso constitui o que se chamam os médiuns passivos ou mecânicos.

A mediunidade intuitiva ocorre através do pensamento. O espírito neste caso não atua sobre a mão para fazê-la escrever, não a toma, não a guia; ele age sobre a alma, com a qual se identifica. Nesta circunstância, o papel da alma não é absolutamente passivo, pois é ela que recebe o pensamento do espírito e que o transmite. Nesta situação, o médium tem a consciência daquilo que escreve, embora não seja seu próprio pensamento.

O Médium semi-mecânico participa dos gêneros de mediunidade mecânica e intuitiva; sente uma impulsão dada à sua mão, malgrado seu, mas, ao mesmo tempo, tem a consciência do que escreve, à medida que as palavras se formam.

Toda pessoa que recebe, seja no estado normal, seja no estado de êxtase, pelo pensamento, comunicações estranhas às suas ideias preconcebidas, pode ser incluído na categoria dos médiuns inspirados, que é uma variedade da mediunidade intuitiva.

Quanto à mediunidade de pressentimento, destaca que é uma intuição vaga das coisas futuras. Certas pessoas têm essa faculdade mais ou menos desenvolvida; podem devê-la a uma espécie de segunda vista que lhes permite entreverem as consequências das coisas presentes e a filiação dos acontecimentos.

Hermínio C. Miranda, nos alerta no livro Diálogo com as Sombras que a mediunidade, longe de ser a marca da nossa grandeza espiritual, é, ao contrário, o indício de renitentes imperfeições. Representa, por certo, uma faculdade, uma capacidade concedida pelos poderes que nos assistem, mas não no sentido humano, como se o médium fosse colocado à parte e acima dos vis mortais, como seres de eleição. É, antes, um ônus, um risco, um instrumento com o qual o médium pode trabalhar, semear e plantar, para colher mais tarde, ou ferir mais uma vez, com a má utilização dos talentos sobre os quais nos falam os evangelhos. O médium foi realmente distinguido com o recurso da mediunidade, para produzir mais, para apressar ou abreviar o resgate de suas faltas passadas. Não se trata de um ser aureolado pelo dom divino, mas depositário deste dom, que lhe é concedido em confiança, para uso adequado. Enfim: o médium utiliza-se de uma aptidão que não faz dele um privilegiado, no sentido de colocá-lo, na escala dos valores, acima dos seus companheiros desprovidos dessas faculdades.

Ainda no Livro dos Médiuns, Capítulo XVII item 220, Kardec traz um alerta quando questiona aos espíritos: Qual a causa do abandono do médium pelos espíritos? Onde os espíritos resondem: “O uso que ele faz da sua faculdade é o que mais influi sobre os bons espíritos. Podemos abandoná-lo quando dela se serve para coisas frívolas ou com objetivos ambiciosos; quando se recusa a transmitir nossa palavra ou nossos fatos aos encarnados que os pedem ou que têm necessidade de ver para se convencerem. Esse dom de Deus não é dado ao médium para que se divirta, e ainda menos para servir à sua ambição, mas para seu próprio melhoramento e para fazer conhecer a verdade aos homens. Se o espírito vê que o médium não responde mais aos seus objetivos e não aproveita as instruções e as advertências que lhe dá, se retira para procurar um protegido mais digno.”

Todavia, sabemos que a perfeição não é inerente ao homem, em especialmente nós que habitamos no planeta terra, classificado pelos espíritos como orbe em processo de “prova e expiação”. Mas não podemos deixar de relatar que a busca contínua pela perfeição através do esforço e aprimoramento das nossas virtudes pode nos garantir a aproximação de espíritos, assim como nossas ações, que nos proporcionem o bem e a felicidade tão necessária para nossa harmonia e bem-estar.

Deste fato, no Capítulo XX do Livro dos Médiuns, Kardec mais uma vez questiona aos espíritos: Qual seria o médium que poderia chamar de perfeito? No que recebe a seguinte resposta: “Perfeito, ah! Bem sabeis que a perfeição não está sobre a Terra, de outro modo que não estaríeis nela; dizei, pois, bom médium, e isso já é muito, porque são muito raros. O médium perfeito seria aquele ao qual os maus espíritos não tivessem jamais ousado fazer uma tentativa para enganá-lo; o melhor é aquele que, não simpatizando senão com os bons espíritos, foi enganado o menos frequentemente.”

E segue no item 227 afirmando: Se o médium, do ponto de vista da execução, não é senão um instrumento exerce sob o aspecto moral uma influência muito grande. Uma vez que, para se comunicar, o Espírito estanho se identifica com o espírito do médium, essa identificação não pode ocorrer senão quando há sobre o espírito estranho uma espécie de atração ou de repulsão, segundo o grau de sua semelhança ou dessemelhança; ora, os bons tem afinidade com os bons, e os maus com os maus; de onde se segue que as qualidades morais do médium têm uma influência capital sobre a natureza dos espíritos que se comunicam por seu intermédio.

Orienta a conselheira espiritual Joanna de Ângelis, no Livro Momentos de Consciência:

A existência humana é um constante desafio.

Todo desafio propõe esforço para a luta.

Quando o ser recua num tentame, eis que perde a oportunidade de afirmar os seus valores, a prejuízo do crescimento pessoal.

Cabe-lhe, portanto, logicar para agir, medir as possibilidades e produzir, trabalhando pelo aprimoramento interior, que responde pela harmonia psicofísica do seu processo evolutivo.

Desse modo, a superação dos conflitos se dará mediante o esforço ingente oferecido pelo ser em evolução que se deixe plenificar.

Das muitas orientações dos amigos espirituais, desde a codificação de Allan Kardec, a livros complementares como os de Léon Denis, Emannuel, Joanna de Ângelis, J. Herculano Pires, Hermínio C. Miranda, destaco a grande necessidade da “Reforma Intima” como parceira para facilitar a aproximação deles, os espíritos, e essencialmente do nosso anjo da guarda, para nos ajudar a cumprir a missão que assumimos perante Deus e velar por nós. No processo de reforma íntima, já aprendemos que fazendo as escolhas pelo bem, sendo humilde, perdoando, amando, fazendo caridade, criamos alicerces para a felicidade neste processo de transformação e aprendizado, e portanto, não poderemos ser aureolados com a proteção destes entes do amor se não fizermos esta escolha.

Para encerrar destaco o Léon Denis, no Ultimo capítulo do Livro no Invisível, este grande ensinamento:

“Um imenso trabalho em tal sentido se realiza atualmente; uma obra considerável se elabora. O estudo aprofundado e constante do mundo invisível, que o é também das causas, será o grande manancial, o reservatório inesgotável em que se há de alimentar o pensamento e a vida. A mediunidade é a sua chave. Por esse estudo chegará o homem à verdadeira ciência e à verdadeira crença que não excluem mutuamente, mas que se unem para fecundar-se; por ele também uma comunhão mais íntima se estabelecerá entre vivos e os mortos, e socorros mais abundantes fluirão dos Espaços até nós. O homem de amanhã saberá compreender e abençoar a vida; cessará de recear a morte. Há de, por seus esforços, realizar na Terra o Reino de Deus, isto é, de PAZ e de JUSTIÇA, e chegado ao termo da viagem, sua derradeira noite será luminosa e calma como o ocaso das constelações à hora em que os primeiros albores matinais se espraiam no horizonte.”


Que a graça de DEUS, nosso pai, nos conceda a condição de médiuns servis e prontos para o serviço redivivo, tendo como ferramenta de trabalho o amor incondicional, em nos aproximando e traduzindo as mensagens dos irmãos da esfera, do além-vida, tradução perfeita do que é mediunidade.


“LUZ DA CARIDADE A NOS GUIAR A PLENITUDE DA VIDA QUE NÃO CESSA APENAS COM O CERRAR DOS OLHOS DA MATÉRIA E CONTINUA COM A REVELAÇÃO DE QUE SOMOS ESPIRITOS ETERNOS, TRANSITORIAMENTE REVESTIDOS POR UMA VESTIMENTA QUE NOS SERVE COMO INSTRUMENTO PARA O APRENDIZADO E PARA O APRIMORAMENTO NO CAMINHO PARA A FELICIDADE SUPREMA.”


Fernando Oliveira – 17.04.2016.