quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Amor, muito além de cinco letras

Ouve-se falar do amor de várias formas.
De vez por outra, um tanto abstrata, animalizada, até mesmo materializada.
Todavia, qual concepção verdadeira do amor?
Qual verdadeiramente seria o sentido ou significado, bem como importância, que o amor pode ter para a vida do homem?
Na rudeza das diversas estiagens humanas, deixamo-nos envolver com a voracidade dos sentidos físicos atribuindo estas sensações ao amor.
Entretanto, sendo o amor sentimento, que pulsa do órgão matriz, que irriga todos demais, seria infeliz considera-lo vinculado tão somente às necessidades genésicas.
Amor que vem do latim amore, expressão da vontade exclusiva do sentido da vida, quando espargida de sensações pueris, faz-se notar de gestos de afeto, associado a respeito, divindade, exaltação dúlcida da emancipação da alma, enquanto real.
Vincular o amor tão somente a coisas materiais é pobreza de espírito ou alma que se deixa levar apenas pelas sensações físicas.
Amor é contexto da Divindade que habita no homem e dela deixa externar sua essência.
No olhar do ser que ama vê-se o brilho que exterioriza o Deus da bondade, que faz sair do coração sua plenitude aproximando-se da excelsa luz do Divino Amigo que é Jesus.
Amar é entrega, doação, afeto, respeito, verdade.
Amor é sentimento sim, portanto, algo imaterial, que vai muito além da simples expressão com cinco letras.

Fernando Oliveira - 03.11.2016

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Vento amigo

Vento amigo que zumbe em meu ouvido
Quebra o silêncio no sacudir das árvores
Quebra o som no movimento do mar
Intensidade que em redemoinho 
Cria formas da areia inquieta.

Vento amigo leva além meu pedido
Faz os seres da plenitude ouvir minhas dores
Quanto há pra te dizer do amar
Até mesmo dos entretantos dos meus estalidos
Diria, quem sabe, de mim, euforia rouca

Vento amigo, tira a quietude de minha voz
Que não está perdida na foz de minha guela
Que quer gritar para falar, porque não, de mim
Que sabe que do teu ecoar, os grunhidos de meu falar
Ficam mudos na vastidão do teu ensurdecido girar

Vento amigo, tu me renovas
Vento amigo, tu me relaxas
Vento amigo, tu me acalmas
Vento amigo, tu me salvas de mim
Vento amigo, só tu pra me calar.


Fernando Oliveira - 11.10.2016

sábado, 1 de outubro de 2016

Espiritismo - Ciência do Amor



Ouso afirmar que a Doutrina espírita, bem antes do inicio de sua codificação, através do então professor Hippolyte Léon Denizard Rivail, já era uma verdade, dado que desde quando há vida, desde a existência do primeiro ser, os espíritos vem se demonstrando em sua plenitude.
Desta forma, devemos consentir que a Doutrina Espírita, surge a partir de fatos que geraram questionamentos entre os homens por meados do século XIX, onde foi observado que diversos objetos se movimentavam. De maneira geral, chamavam de “mesas girantes” ou “dança das mesas”. Este fenômeno foi registrado nos estados unidos e logo passou a ser registrado também na Europa.
Ocorre que estes movimentos não eram estáticos, por assim dizer, muitas vezes era brusco, desordenado; outras vezes o objeto era violentamente sacudido, derrubado, levado numa direção qualquer e, contrário a todas as leis da estática, levantado do chão e mantido no espaço.
Em março de 1848, no humilde vilarejo de Hydesville, Estado de Nova Iorque, surgiram fenômenos mediúnicos que abalaram a opinião pública da época. Tais fenômenos ocorreram numa tosca cabana, residência da família Fox. Onde ali moravam as meninas Kate e Magie, de 11 e 14 anos, sendo as médiuns que doavam fluidos para possibilitar a comunicação do espírito em epígrafe. Os acontecimentos a partir do primeiro diálogo com o Espírito, em 31 de março de 1848, empolgaram a população do vilarejo, surgindo, em novembro de 1849, as primeiras demonstrações públicas, com as irmãs Fox.
E na Biografia de Alan Kardec, escrita por Marcel Souto Maior, assim retrata o efeito das mesas girantes:
“A mesas giravam, saltavam e corriam em tais condições que não deixavam lugar para qualquer dúvida.”
E complementa: “Entrevi, naquelas aparentes futilidades, no passatempo que faziam daqueles fenômenos, qualquer coisa de sério, como a revelação de uma nova lei, que tomei a mim investigar a fundo. Havia um fato que necessariamente decorria de uma causa.”
Assim surge o pesquisador, que começa a compilar, através de pesquisas e cartas que passa a receber de todo o mundo fatos que indicasse de forma séria e comprovada a existência dos espíritos.
Evidentemente que para tanto era necessário aplicar um método, fato que já adotava desde a época de estudante, pois procurava respostas para o devido entendimento de todos os fatos.
E foi com fidelidade a princípios sérios para avaliar, questionar e validar as manifestações dos espíritos naquela época que Allan Kardec prosseguiu com seu trabalho e assim procedia:
“Melhor rejeitar dez verdades como sendo mentiras do que aceitar uma única mentira como sendo verdade”. 
E esta era sua linha de conduta.
Em 18 de abril de 1857 foi publicada a primeira edição do Livro dos Espíritos. Com uma saída de 1.500 exemplares esgotando com dois meses após publicação.
Um livro de perguntas e respostas acerca das manifestações dos espíritos, os princípios da Doutrina espírita sobre a imortalidade da alma, a natureza dos espíritos e suas relações com os homens, as leis morais, a vida presente, a vida futura. Mas que de forma contundente, traz Deus no centro do seu conteúdo, que da sua primeira pergunta questiona:
- O que é Deus?
E como resposta recebe: 
"Deus é suprema inteligência, causa primeira de todas as coisas."
E desta forma, um mundo novo, e eterno, se descortinava a cada página.
E homens reconhecidamente sérios e de muito respeito na sociedade local contribuíram para realização desta tarefa, como o renomado Benjamin Franklin, inventor do para-raios, o matemático Emanuel Swendenborg e mais dois médicos contemporâneos, o alemão Samuel Hahnemann, considerado o pai da homeopatia, e o cirurgião francês Guillaume Dupuytren.
Nesta época a mediunidade era tida como doença. Assim afirmou o médico Clever de Maldigny: “É uma epidemia recente vinda da américa. Uma moléstia mental altamente contagiosa, que fazia vítimas na Alemanha, Inglaterra e, agora, na França. O mal atacava principalmente as moças sensitivas, mais sujeitas à ação magnética.” E este diagnóstico foi dado a garota Ermance Dufaux, com 12 anos na época.
E justamente através desta menina, médium, diagnosticada como doente que surge o contato mediúnico de um dos espíritos que iria contribuir muito com os trabalhos que Allan Kardec estava desenvolvendo. Surge a comunicação do espírito “São Luis”, o rei Luis IX.
E o Sr. Dufaux, pai da menina Ermance, questiona o espírito São Luis para provar a veracidade de sua presença, solicitando ditar-lhe algo edificante em moral, no que recebe como resposta:
“Sê tu, amigo, como um rio benfazejo que derrama por onde passa a fertilidade e a frescura, perdoa a teus inimigos como o salvador que, quase ao expirar, orou por seus carrascos, dando assim aos homens seu derradeiro exemplo de bondade (...).”
“Ama teus inferiores na hierarquia social. Não imites os homens tiranos de seus irmãos, nem os que, por seu exemplo, transviam as almas humildes e obscuras que lhe cumpre guiar e proteger neste vale de provações para todos.”
Em julho de 1859 Kardec lança um espécie de cartilha intitulada “O que é o Espiritismo.”
E assim definia:
“O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, envolve as relações entre nós e os espíritos; como filosofia, compreende todas as consequências morais que emanam dessas relações.”
Em resumo: “O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos espíritos, bem como suas relações com o mundo corporal.”
Daí revela-se o tríplice aspecto da Doutrina Espírita: Ciência, Filosofia e Religião.
Em 18 de marco de 1860 foi lançada a nova versão do Livro dos Espíritos, onde os originalmente lançados 501 diálogos se tornaram 1.018 perguntas e respostas, acompanhadas de comentários e notas explicativas assinadas por Kardec.
Em janeiro de 1861 Kardec lança o Livro dos Médiuns, onde consta o ensino dos espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o mundo invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e obstáculos que se pode encontrar na prática do espiritismo.
E num encontro na cidade de Lyon com os seguidores da no doutrina, Kardec conclama os discípulos a se unirem para enfrentar o sarcasmo, a zombaria e lança o slogan que até então se torna lema do espiritismo: 
“Fora da caridade não há salvação”.
Não posso deixar de retratar que todas estas revelações causaram incomodo, em especial a igreja católica e seus seguidores que passaram a retaliar e inclusive confiscar as publicações das obras lançada por Kardec e um dos marcos destas atitudes ocorre na Espanha quando o então Bispo Antônio Palau y Termens impedem a entrada de 300 exemplares legalmente enviados por Kardec ao seu amigo, escritor Mauricio Lachâtre.
Este fato ficou conhecido como “O auto de fé de Barcelona”, no que se transformou num marco do espiritismo. Nesta ocasião Kardec até insistiu com a liberação dos exemplares, ou até mesmo a devolução, no que não teve sucesso, vindo a ser ateados em fogo, como nos atos deliberados pela igreja que considerava a necessidade da inquisição.
E abril de 1864 surge o então intitulado “Imitação do Evangelho Segundo o Espiritismo”, renomeado três anos depois como “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, que através de mensagens reflexivas sobre passagens bíblicas dos evangelhos de São Mateus, São Marcos, São Lucas, traz novos contextos e esclarecimentos sobre a essência da moral cristã e assim mostra o poder do:
“Amai-vos uns aos outros”.
E em setembro de 1865, Kardec anunciou na Revista Espírita o lançamento do Livro O Céu e o Inferno – ou a justiça divina segundo o espiritismo. Onde em seu contexto faz menções sobre a passagem da vida corporal a vida espiritual, as penas e recompensas futuras, os anjos e os demônios, as penas eternas.
Em janeiro de 1868, começaram a circular na França os exemplares da obra assinada por Allan Kardec, intitulada por “A Gênese – ou os milagres e predições segundo o espiritismo”. A ciência é chamada a constituir a gênese segundo as leis da natureza. Deus prova sua grandeza e seu poder pela imutabilidade de suas leis, e não pela suspensão. Para Deus, o passado e o futuro são o presente.
O Espiritismo tem por base as verdade fundamentais de todas religiões: 
- Deus;
- A alma;
- A imortalidade;
- As penas e recompensas futuras.
Vem a provar a imortalidade da alma, sua individualidade depois da morte, sua sobrevivência ao corpo.
Tudo isso baseado em princípios morais, compilados em todas as obras codificadas por Allan Kardec, onde nos faz atentar sobre a necessidade:
- Da caridade;
- Do amor a Deus;
- Do amor aos homens;
- O cumprimento das leis; e
- O reconhecimento da sua justiça Divina. 
Da qual, em sã consciência, nenhum ser encarnado ou desencarnado terá como fugir.
Como na Carta de São Paulo, apóstolo dos gentios, “Fora da Caridade não há salvação, sem amor a caridade real não acontece, pois ele remete ao esquecimento de si mesmo em beneficio dos mais necessitados”. O AMOR não é apenas a essência da Doutrina Espírita, é indubitavelmente a essência da VIDA.
E para encerrar deixo o texto seguinte:
Trecho do poema “À Villequier” de Victor Hugo, escrito em 1854:
“Eu digo que o túmulo que sobre os mortos se fecha

Abre o firmamento

E que aquilo que embaixo acreditamos ser o fim

É o começo.”
Fernando Oliveira – 29.09.2016.

domingo, 21 de agosto de 2016

Ação e Reação



Todos nós temos conhecimento da Lei de Newton que diz que “toda força que um corpo recebe é consequente na força que o outro aplicou”, ou seja, para toda interação, na forma de força, que um corpo A aplica sobre um corpo B, dele A irá receber uma força de mesma direção, intensidade e sentido oposto, o que nada mais é que toda ação remete a necessidade de uma reação imediata.
Em se falando da vida, em se falando do homem e em se falando de Deus, como seriam avaliadas e dimensionadas a “Reações” consequentes de “Ações” por cada ser provocadas? Como entender estas situações?
No Livro A Vida Escreve, texto “O Merecimento”, Conta o espírito Hilário Silva, através do médium Chico Xavier, uma situação que envolve o personagem Saturnino Pereira. Pessoa caridosa, amigo de todos no trabalho, sempre servil. Mas o destino o envolve num acidente no local de trabalho que surpreende todos, pois o generoso amigo não merecia;
Neste acidente Saturnino perdeu um polegar, mesmo com todo o braço ferido que ficara bom com o tempo.
Saturnino, espírita, depois do acidente, vai ao centro espírita que frequenta para reunião habitual, quando tem a seguinte informação do orientador espiritual:
“Quando você se preparava para a excursão no berço terrestre, programou experiências no caminho do reajuste, porém formulou uma sentença contra você; Há oitenta anos, era você poderoso sitiante  no litoral brasileiro e, certo dia, porque pobre empregado enfermo não lhe pudesse obedecer às determinações, obrigou-o a triturar o braço direito no engenho rústico”.
Por muito tempo, no plano espiritual, você andou perturbado, contemplando mentalmente o caldo de cana enrubescido pelo sangue da vítima, cujos gritos lhe ecoavam no coração. E você implorou existência humilde em que viesse a perder no trabalho o braço mais útil. Mas você, desde a primeira mocidade, ao conhecer a Doutrina Espírita, tem os pés no caminho do bem aos outros. Vem trabalhando, se esmerando no dever, lutando. E o plantio disso só pode ser avaliado em definitivo por ocasião da colheita. Sei, porém que hoje, por débito legítimo, alijaria todo o braço, mas perdeu só um dedo... Regozije-se meu amigo!
Veja como é serio o Juiz, chamado consciência. Saturnino não se perdoou, não aceitou o fato de ter sido mal para com seu próximo e pediu a expiação similar ao ato cometido, visto que pediu à misericórdia Divina a oportunidade de saldar em vida seguinte as dívidas de atitudes impensadas no mesmo padrão do ato cometido. Evidentemente que ficamos questionando tais atos...
E diante deste fato, até para que pensemos de forma maior, trago a seguinte descrição bíblica:
“Em Romanos 2 temos: Tu, ó homem, que julgas os que praticam tais coisas, mas as cometes também, pensas que escaparás ao juízo de Deus? Mas pela tua obstinação e coração impenitente, vais acumulando ira contra ti, para o dia da cólera e da revelação do justo juízo de Deus, que retribuirá a cada um segundo sua obra.”
Não estamos isentos do jugo de Deus, mas muito antes do jugo do Pai temos o jugo de nossa própria consciência que irá nos acusar e muito dos erros cometidos.
E assim sendo Kardec nos traz orientações preciosas no Livro Céu e o Inferno, a seguir:
Capítulo XII – Código Penal da Vida Futura...
A felicidade é inerente à perfeição; O bem e o mal que fazemos resultam das qualidades que possuímos;
Sendo infinita a justiça de Deus, o bem e o mal são rigorosamente considerados, não havendo uma só ação, um só pensamento que não tenha consequências fatais, como não há única ação meritória, um só bom impulso da alma que se perca, mesmo para os mais perversos;
Visto que tais ações constituem um começo de progresso; Toda falta cometida, todo mal realizado é uma dívida contraída que deverá ser paga: se não for em uma existência, sê-lo-á na seguinte ou seguintes;
Isto comprova o olhar de Deus sobre todos nós, encarnados e desencarnados, mas muito mais que um olhar de um Pai justo, percebemos a sua compaixão.
E para enriquecer nossas reflexões sobre o assunto, trago outro relato:
No Livro Ação e Reação do Escritor Espiritual André Luiz – Médium Chico Xavier, temos a história do paciente “Antônio Olímpio”, diz que por conta da ambição e na intenção de tomar posse de toda herança da família, elabora um plano criminoso para acabar com a vida de seus dois irmãos, Clarindo e Leonel. Convida-os para um passeio de barco, no lago do sítio da família, oferece-lhes um licor, já adicionado a um entorpecente, e dado momento quando percebeu a embriaguez de seus irmãos, fez o barco tombar, deixando-os morrer afogados. Saiu do lago e simulou aos gritos o acidente, herdando assim toda fortuna da família, passando a ser propriedade sua, de seu filho e mulher, que nada sabiam;
Ironia ou não do destino, que sabemos não há acaso, depois de anos passados, sua mulher foi acometida de grave doença, vindo a ficar louca e no mesmo lago do sinistro narrado afoga-se; A tristeza toma conta dele e com o remorso a acusá-lo sem esquecer o crime cometido, perde as forças e veio a desencarnar. Para sua surpresa, ao cerrar os olhos, seus irmãos que supunha mortos, surgem como vingadores, atirando-lhe o crime na cara, flagelando-o sem compaixão, conduzindo-o a tenebrosa turba, que permaneceu por muito tempo. Na sua consciência, em espírito, a culpa manteve-se, mesmo após o socorro para o hospital espiritual, onde afirmava: “Ai de mim... Estou preso a terrível embarcação...Quem me fará dormir ou morrer?"
Esta ultima frase do espírito Antônio Olímpio demonstra como é severa a nossa consciência. O peso da culpa nos persegue quando nossos erros nos acusam incessantemente.
E diante deste contexto, ficamos nos questionando: Como pode um irmão, por ambição, egoísmo, acabar com a vida de seus dois irmãos?! Que coisa horrível! Diríamos.
Não podemos deixar de considerar que como nós, Antônio Olímpio era um espírito encarnado revestido pelas mazelas que a matéria nos impõe como, por exemplo, o desejo exacerbado pelo poder, algo que nos cega e não nos permite perceber com clareza nossos erros, como neste caso.
E claro Kardec nos faz refletir trazendo no Livro O Evangelho Segundo o Espiritismo, o seguinte:
Capítulo XVIII, item 16, temos: Procurai os verdadeiros cristãos e vós os reconhecereis por suas obras. “Uma arvore boa não pode produzir maus frutos, nem uma arvore má produzir bons frutos”. Toda árvore que não produz bons frutos é cortada e lançada ao fogo. Pois há muitos chamados e poucos escolhidos.
Este texto remete a Parábola da Figueira seca, que tão bem conhecemos, mas muito mais que uma figueira, Jesus claramente se referia a nós que secamos nossos corações quando o encolerizamos com sentimentos que nos fazem muito mal como ódio, rancor, inveja, ambição. Precisamos aprender a equilibrar nossos sentimentos e desta forma nos aproximar da condição divina que Deus nos criou em espírito, visando a felicidade futura.
E mais uma vez no Livro o Céu e o Inferno, trago:
1 – O sofrimento é inerente à imperfeição;
2 – Toda imperfeição, assim como toda falta que dela resulta, traz consigo o próprio castigo em suas consequências naturais e inevitáveis. Assim a doença decorre dos excessos e o tédio da ociosidade, sem que haja necessidade de uma condenação especial para cada falta ou indivíduo;
3 – Como todo homem pode libertar-se das imperfeições, desde que o queira, pode igualmente anular os males consequentes e assegurar a sua felicidade futura.
Toda esta reflexão é muito importante visando o nosso equilíbrio, sem deixar de levar em consideração que devemos nos melhorar é nessa existência, haja vista que devemos nos assenhorar de tudo que somo capazes de fazer e reconhecer nossas fraquezas. Uma vez tomando conhecimento de tudo que somos capazes podemos, desta forma, evitar tomadas de decisões que podem comprometer toda uma vida onde para ela traçamos planos de felicidade e esta é a meta que devemos perseguir.
E para encerrar trago duas mensagens que nos fará buscar a plena paz:
“Perdoai as ofensas, se quereis ser perdoados; fazei o bem em troca do mal; não façais o que não quereis que vos façam.”
“A cada um segundo as suas obras, No Céu como na terra: Tal é a Lei da Justiça Divina.” 

Fernando Oliveira.


domingo, 17 de abril de 2016

MEDIUNIDADE


Fui convidado por uma casa amiga para palestrar sobre este tema, mediunidade, assunto muitas vezes esquecido ou desmerecido, de sua importância, que tem na vida comum, pela humanidade e incrível que poça parecer por alguns irmãos da seara espírita. Temos nesta existência uma oportunidade de renovação e sublimação, e que o conhecimento e uso adequado da mediunidade oferece-nos oportunidade de redenção e sublimação.

Evidentemente que para tanto não posso deixar de me abastecer da literatura espírita, rica em conteúdo sobre este assunto. Começo com o nobre codificador, Allan Kardec, no Livro dos Médiuns, em sua introdução, que nos esclarece: 159. Toda pessoa que sente, em um grau qualquer, a influência dos Espíritos, por isso mesmo, é médium. Ainda acrescenta: Esta faculdade é inerente ao homem e, por consequência, não é privilégio exclusivo; também são poucos nos quais não se encontrem alguns rudimentos dela. 

Pode-se, pois, dizer que todo mundo é, mais ou menos, médium.

Parece muito contundente a afirmação de Kardec deixando claro que todo mundo seja, mais ou menos médium. Mas esta afirmativa, se observarmos alguns indicativos, poderemos entender os motivos que o levam a assumir este conceito. Quem de nós já não teve algum pressentimento? Quem nunca viu alguém que teve a impressão de já conhecer? E mais, não viveu situações que pensou já ter vivido em outro momento. Na linguagem popular estes fatos já foram classificados com Déjà Vu, mas à luz do espiritismo estes são rudimentos de mediunidade, que podem estar relacionados ao que conhecemos como intuição ou lembranças de seres ou fatos que realmente já foram traçados para vivenciar conosco, na vida presente, e que tiveram algum tipo de aproximação em vidas passadas, traço das vidas sucessivas, necessárias para nosso amadurecimento e importantíssimas para a evolução intelecto-moral.

José Herculano Pires, no Livro Mediunidade, a define da seguinte forma: “Médium quer dizer medianeiro, intermediário. Mediunidade é a faculdade humana, natural, pela qual se estabelecem as relações entre homens e espíritos. Não é um poder oculto que se possa desenvolver através de práticas rituais ou pelo poder misterioso de um iniciado ou de um guru. A mediunidade pertence ao campo da comunicação. Desenvolve-se  naturalmente nas pessoas de maior sensibilidade para a captação mental e sensorial de coisas e fatos do mundo espiritual que nos cerca e nos afeta com as suas vibrações psíquicas e afetivas.”

Neste conceito vale destacar o alerta do escritor quando se preocupa com o fato da mediunidade ser utilizada de forma inadequada, quando diz: “Não é um poder oculto que se possa desenvolver através de práticas rituais ou pelo poder misterioso de um iniciado ou de um guru.”

Mediunidade é coisa séria, um dom concedido por Deus para que os revestidos por essa percepção devam honrar o compromisso assumido de contribuir com a evolução da humanidade e ajudar irmãos encarnados e desencarnados, dando amparo, compaixão, orientação e amor.

A Mediunidade pode se manifestar de várias formas. Kardec classifica as diversas formas sensoriais, apresentadas pelos médiuns, a saber:

Médiuns de efeitos físicos, Médiuns sensitivos, Médiuns audientes, Médiuns falantes, Médiuns videntes, Médiuns sonâmbulos, Médiuns curadores e Médiuns pneumatógrafos.

Os médiuns de efeitos físicos são mais especialmente aptos a produzirem fenômenos materiais, tais como movimentos dos corpos inertes, os ruídos, etc.

Os médiuns sensitivos são pessoas suscetíveis de sentirem a presença dos espíritos por uma vaga impressão, uma espécie de roçadura sobre todos os membros, da qual não podem se dar conta. Nesta classificação de médiuns sensitivos Kardec chega define também como impressionáveis e assim destaca: todos os médiuns são necessariamente impressionáveis e a impressionabilidade, assim, é antes uma qualidade geral do que especial, é a faculdade rudimentar indispensável ao desenvolvimento de todas as outras.

Os médiuns audientes são os que ouvem a voz dos espíritos. E destaca: como dissemos, falando da pneumatofonia, algumas vezes é uma voz íntima que se faz ouvir no foro interior; de outras vezes é uma voz exterior, clara e distinta como a de uma pessoa viva.

Médiuns falantes são os que os espíritos atuam sobre os órgãos da palavra, como atua sobre a mão dos médiuns escreventes. O espírito, querendo se comunicar, serve-se do órgão no encontra mais flexibilidade no médium. Destaca que a passividade de um médium falante não é sempre bastante completa; há os que a intuição do que dizem no próprio momento em que pronunciam as palavras.

Os médiuns videntes são dotados da faculdade de ver os espíritos. Há os que gozam dessa faculdade no estado normal, quando estão perfeitamente despertos, e dela conservam uma lembrança exata; outros não têm senão no estado sonambúlico ou próximo do sonambulismo. O codificador nos alivia informando que esta faculdade raramente é permanente e é, quase sempre, o efeito de uma crise momentânea e passageira.

Quanto aos médiuns sonambúlicos, afirma que o sonambulismo pode ser considerado como uma variedade da faculdade medianímica, ou melhor dizendo, são duas ordens de fenômenos que, com muita frequência, se encontram reunidas. O sonâmbulo atua sob a influência de seu próprio espírito; é sua alma que, nos momentos de emancipação, vê, ouve e percebe fora dos limites dos sentidos; o que ele exprime, haure em si mesmo; suas ideias são, em geral, mais justas do que no estado normal, seus conhecimentos mais extensos, porque sua alma é livre.

Sobre médiuns curadores, Kardec alerta ser um tema que exige maior aprofundamento no assunto, mas explica que esse gênero de mediunidade consiste principalmente no dom que certas pessoas têm de curar pelo simples toque, pelo olhar, por um gesto mesmo, sem o socorro de nenhuma medicação. Dir-se-á, sem dúvida, que isso não é outra coisa do que o magnetismo.

Aos médiuns pneumatógrafos, dá-se esse nome aos que são aptos a obterem a escrita direta, o que não é dado a todos os médiuns escreventes. Esta faculdade, afirma Kardec, até o presente é muito rara; se desenvolve provavelmente pelo exercício.

Entre tantas faculdades mediúnicas, temos também que destacar, que na via do seu desenvolvimento e de sua demonstração, a mediunidade pode ser mecânica, intuitiva, semi-mecânica, inspirada ou involuntária e de pressentimento, que podem se apresentar através da psicografia ou psicofonia.

A mediunidade mecânica ocorre quando o médium não tem a menor consciência do que escreve ou comunica; a inconsciência absoluta, neste caso constitui o que se chamam os médiuns passivos ou mecânicos.

A mediunidade intuitiva ocorre através do pensamento. O espírito neste caso não atua sobre a mão para fazê-la escrever, não a toma, não a guia; ele age sobre a alma, com a qual se identifica. Nesta circunstância, o papel da alma não é absolutamente passivo, pois é ela que recebe o pensamento do espírito e que o transmite. Nesta situação, o médium tem a consciência daquilo que escreve, embora não seja seu próprio pensamento.

O Médium semi-mecânico participa dos gêneros de mediunidade mecânica e intuitiva; sente uma impulsão dada à sua mão, malgrado seu, mas, ao mesmo tempo, tem a consciência do que escreve, à medida que as palavras se formam.

Toda pessoa que recebe, seja no estado normal, seja no estado de êxtase, pelo pensamento, comunicações estranhas às suas ideias preconcebidas, pode ser incluído na categoria dos médiuns inspirados, que é uma variedade da mediunidade intuitiva.

Quanto à mediunidade de pressentimento, destaca que é uma intuição vaga das coisas futuras. Certas pessoas têm essa faculdade mais ou menos desenvolvida; podem devê-la a uma espécie de segunda vista que lhes permite entreverem as consequências das coisas presentes e a filiação dos acontecimentos.

Hermínio C. Miranda, nos alerta no livro Diálogo com as Sombras que a mediunidade, longe de ser a marca da nossa grandeza espiritual, é, ao contrário, o indício de renitentes imperfeições. Representa, por certo, uma faculdade, uma capacidade concedida pelos poderes que nos assistem, mas não no sentido humano, como se o médium fosse colocado à parte e acima dos vis mortais, como seres de eleição. É, antes, um ônus, um risco, um instrumento com o qual o médium pode trabalhar, semear e plantar, para colher mais tarde, ou ferir mais uma vez, com a má utilização dos talentos sobre os quais nos falam os evangelhos. O médium foi realmente distinguido com o recurso da mediunidade, para produzir mais, para apressar ou abreviar o resgate de suas faltas passadas. Não se trata de um ser aureolado pelo dom divino, mas depositário deste dom, que lhe é concedido em confiança, para uso adequado. Enfim: o médium utiliza-se de uma aptidão que não faz dele um privilegiado, no sentido de colocá-lo, na escala dos valores, acima dos seus companheiros desprovidos dessas faculdades.

Ainda no Livro dos Médiuns, Capítulo XVII item 220, Kardec traz um alerta quando questiona aos espíritos: Qual a causa do abandono do médium pelos espíritos? Onde os espíritos resondem: “O uso que ele faz da sua faculdade é o que mais influi sobre os bons espíritos. Podemos abandoná-lo quando dela se serve para coisas frívolas ou com objetivos ambiciosos; quando se recusa a transmitir nossa palavra ou nossos fatos aos encarnados que os pedem ou que têm necessidade de ver para se convencerem. Esse dom de Deus não é dado ao médium para que se divirta, e ainda menos para servir à sua ambição, mas para seu próprio melhoramento e para fazer conhecer a verdade aos homens. Se o espírito vê que o médium não responde mais aos seus objetivos e não aproveita as instruções e as advertências que lhe dá, se retira para procurar um protegido mais digno.”

Todavia, sabemos que a perfeição não é inerente ao homem, em especialmente nós que habitamos no planeta terra, classificado pelos espíritos como orbe em processo de “prova e expiação”. Mas não podemos deixar de relatar que a busca contínua pela perfeição através do esforço e aprimoramento das nossas virtudes pode nos garantir a aproximação de espíritos, assim como nossas ações, que nos proporcionem o bem e a felicidade tão necessária para nossa harmonia e bem-estar.

Deste fato, no Capítulo XX do Livro dos Médiuns, Kardec mais uma vez questiona aos espíritos: Qual seria o médium que poderia chamar de perfeito? No que recebe a seguinte resposta: “Perfeito, ah! Bem sabeis que a perfeição não está sobre a Terra, de outro modo que não estaríeis nela; dizei, pois, bom médium, e isso já é muito, porque são muito raros. O médium perfeito seria aquele ao qual os maus espíritos não tivessem jamais ousado fazer uma tentativa para enganá-lo; o melhor é aquele que, não simpatizando senão com os bons espíritos, foi enganado o menos frequentemente.”

E segue no item 227 afirmando: Se o médium, do ponto de vista da execução, não é senão um instrumento exerce sob o aspecto moral uma influência muito grande. Uma vez que, para se comunicar, o Espírito estanho se identifica com o espírito do médium, essa identificação não pode ocorrer senão quando há sobre o espírito estranho uma espécie de atração ou de repulsão, segundo o grau de sua semelhança ou dessemelhança; ora, os bons tem afinidade com os bons, e os maus com os maus; de onde se segue que as qualidades morais do médium têm uma influência capital sobre a natureza dos espíritos que se comunicam por seu intermédio.

Orienta a conselheira espiritual Joanna de Ângelis, no Livro Momentos de Consciência:

A existência humana é um constante desafio.

Todo desafio propõe esforço para a luta.

Quando o ser recua num tentame, eis que perde a oportunidade de afirmar os seus valores, a prejuízo do crescimento pessoal.

Cabe-lhe, portanto, logicar para agir, medir as possibilidades e produzir, trabalhando pelo aprimoramento interior, que responde pela harmonia psicofísica do seu processo evolutivo.

Desse modo, a superação dos conflitos se dará mediante o esforço ingente oferecido pelo ser em evolução que se deixe plenificar.

Das muitas orientações dos amigos espirituais, desde a codificação de Allan Kardec, a livros complementares como os de Léon Denis, Emannuel, Joanna de Ângelis, J. Herculano Pires, Hermínio C. Miranda, destaco a grande necessidade da “Reforma Intima” como parceira para facilitar a aproximação deles, os espíritos, e essencialmente do nosso anjo da guarda, para nos ajudar a cumprir a missão que assumimos perante Deus e velar por nós. No processo de reforma íntima, já aprendemos que fazendo as escolhas pelo bem, sendo humilde, perdoando, amando, fazendo caridade, criamos alicerces para a felicidade neste processo de transformação e aprendizado, e portanto, não poderemos ser aureolados com a proteção destes entes do amor se não fizermos esta escolha.

Para encerrar destaco o Léon Denis, no Ultimo capítulo do Livro no Invisível, este grande ensinamento:

“Um imenso trabalho em tal sentido se realiza atualmente; uma obra considerável se elabora. O estudo aprofundado e constante do mundo invisível, que o é também das causas, será o grande manancial, o reservatório inesgotável em que se há de alimentar o pensamento e a vida. A mediunidade é a sua chave. Por esse estudo chegará o homem à verdadeira ciência e à verdadeira crença que não excluem mutuamente, mas que se unem para fecundar-se; por ele também uma comunhão mais íntima se estabelecerá entre vivos e os mortos, e socorros mais abundantes fluirão dos Espaços até nós. O homem de amanhã saberá compreender e abençoar a vida; cessará de recear a morte. Há de, por seus esforços, realizar na Terra o Reino de Deus, isto é, de PAZ e de JUSTIÇA, e chegado ao termo da viagem, sua derradeira noite será luminosa e calma como o ocaso das constelações à hora em que os primeiros albores matinais se espraiam no horizonte.”


Que a graça de DEUS, nosso pai, nos conceda a condição de médiuns servis e prontos para o serviço redivivo, tendo como ferramenta de trabalho o amor incondicional, em nos aproximando e traduzindo as mensagens dos irmãos da esfera, do além-vida, tradução perfeita do que é mediunidade.


“LUZ DA CARIDADE A NOS GUIAR A PLENITUDE DA VIDA QUE NÃO CESSA APENAS COM O CERRAR DOS OLHOS DA MATÉRIA E CONTINUA COM A REVELAÇÃO DE QUE SOMOS ESPIRITOS ETERNOS, TRANSITORIAMENTE REVESTIDOS POR UMA VESTIMENTA QUE NOS SERVE COMO INSTRUMENTO PARA O APRENDIZADO E PARA O APRIMORAMENTO NO CAMINHO PARA A FELICIDADE SUPREMA.”


Fernando Oliveira – 17.04.2016.