domingo, 15 de outubro de 2017

Espiritismo, Família Universal




Das batidas à escrita
Da escrita à aparição
Da aparição à incorporação
Da incorporação à revelação

Da dúvida à certeza
Da certeza à esperança
Da esperança à solução
Da solução à consolação

Ele, o Espiritismo,
Surge para esclarecer
Surge para desenvolver
Surge para humanizar

Traz à luz da ração
Porque é ciência, filosofia e religião
Porque Jesus nos prometeu
Que deixaria o Consolador

E depois de um século e meio
Esta Doutrina de amor
Enche de calor os corações
D’àqueles que procuram respostas

E ao descobrir a resposta
Percebe então que muito falta
Para, portanto, conhecer
Não apenas no aprofundamento
Das leis morais às leis Divinas

Mas, a si mesmo e todo irmão
Para enfim entender
Que Deus finalmente nos fez
Filhos de uma só Família Universal.

Fernando Oliveira
Mensagem escrita durante ultima palestra do 17º CONECE em 14.10.2017

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Família, Pronto-Socorro de Espíritos, Educandário da Vida.


Assim começa o item oito, no capítulo dezesseis, do Evangelho Segundo o Espiritismo:
“Os laços do sangue não estabelecem necessariamente vínculos entre os espíritos.”
Nesta premissa já temos a elucidação de que a família é realmente um pronto-socorro de espíritos.

Digo isso porque, o Espiritismo nos revela a imortalidade da alma, que, enquanto espíritos, somos eternos e precisamos da reencarnação como oportunidade de ajustamento moral, intelectual e espiritual. A família, então, se estabelece como primaz para o ajustamento do espírito em processo de evolução e, consequentemente, torna-se também o educandário da vida.

Continua ainda no item oito do evangelho: 

“Os Espíritos que encarnam numa mesma família, sobretudo como parentes próximos, são, na maioria das vezes, Espíritos simpáticos, ligados por relações anteriores, que se traduzem por uma afeição recíproca na vida terrena. Mas também pode acontecer que sejam completamente estranhos uns aos outros, divididos por antipatias igualmente anteriores, que se expressam na Terra por um mútuo antagonismo, a fim de lhes servir de provação.”

Daí, podemos concluir que neste processo de ajustamento ao qual o espírito se propõe realizar, inclui o encontro com os afetos e possíveis desafetos de vidas pregressas no intuito de estabelecer as melhorias necessárias para seu aprimoramento. Entretanto, sabedor das dificuldades que estes encontros podem envidar, o espírito familiar deve buscar equilíbrio na prática constante da resignação, paciência, perdão e, sem dúvidas, do amor.

Afirma o espírito Joanna de Ângelis, através da mediunidade de Divaldo Franco, no Livro Constelação Familiar que:

A família é a base fundamental sobre a qual se ergue o imenso edifício da sociedade.”

Complementa:

“No pequeno grupo doméstico inicia-se a experiência da fraternidade universal, ensaiando-se os passos para os nobres cometimentos em favor da construção da sociedade equilibrada. Em razão disso, toda vez que a família se entibia ou se enfraquece a sociedade experimenta conflitos, abalada nas suas estruturas.”

E no Livro SOS Família, afirma também: “A família, por essa razão, tornou-se a célula máter do organismo social onde se desenvolvem os sentimentos, a inteligência, e o espírito desperta para as realizações superiores da vida.”

Diante destes comentários qual será realmente o papel da família?

Ouso afirmar que a família formada pelos pais, filhos, avós, tios, netos e demais membros deste clã, tem como principais responsabilidades e obrigações, acolher, preparar, educar, ajustar, formar seus membros para os enfrentamentos da relação interna (intrafamiliar) e externa (com a sociedade).

Se dentro da família as relações são desarmônicas e sem o exercício da compreensão mútua, os membros por ela formados serão despreparados para a relação com a outra família, que é a família universal, vulgarmente conhecida como sociedade. Entendamos sociedade como os outros agentes dos relacionamentos estabelecidos pelo espírito na convivência comum, conhecidos como rua, bairro, distrito, cidade, estado, nação.

Ainda no Capítulo dezesseis do Evangelho Segundo o Espiritismo, item nove, sob o tema “A ingratidão dos filhos e os laços de família”, o espírito Santo Agostinho traz alguns esclarecimentos e alertas, a saber:

“Ó espíritas! Compreendei agora o papel da Humanidade; compreendei que, quando produzis um corpo, a alma que nele encarna vem do Espaço para progredir; inteira-vos dos vossos deveres e ponde todo o vosso amor em aproximar de Deus essa alma: esta é a missão que vos está confiada e cuja recompensa recebereis, se a cumprirdes fielmente. Os vossos cuidados e educação que lhe dareis auxiliarão o seu aperfeiçoamento e o seu bem-estar futuro.”

E continua: “Mães, abraçai o filho que vos dá desgostos e dizei com vós mesmas: Um de nós dois é culpado. Fazei por merecer os gozos divinos que Deus associou à maternidade, ensinando aos vossos filhos que eles estão na Terra para se aperfeiçoar, amar e bendizer.”

Mas também esclarece, a fim de atenuar a caminhada e o peso da dor e de possíveis sofrimentos de alguns envolvidos na família, sem aliviar a responsabilidade:

“Deus não dá prova superior às forças daquele que a pede; só permite as que podem ser cumpridas. Se alguém não consegue cumprir, não é que lhe falte possibilidade: falta a vontade.”

“De todas as provas, as mais penosas são as que afetam o coração. Alguém que suporta com coragem a miséria e as privações materiais sucumbe ao peso das amarguras domésticas, torturado pela ingratidão dos seus.”

Uma vez a família realizando a contento sua missão de socorrer com amor e generosidade o espírito reencarnante, promovendo assim a proposta de ajustá-lo moralmente, educando, orientando, protegendo e elevando seus sentimentos fraternalmente alcança seu objetivo principal. (grifo próprio)

No capítulo quatro do Evangelho Segundo o Espiritismo, item dezenove, temos a seguinte explicação:

“Deus permite, nas famílias, essas encarnações de Espíritos antipáticos ou estranhos, com o duplo objetivo de servir de prova para uns, e de progresso para outros. Assim, os maus se melhoram pouco a pouco, ao contato dos bons e por efeito dos cuidados que destes recebem. O caráter deles se abranda, seus costumes se apuram, as antipatias se apagam. É desse modo que se estabelece a fusão entre as diferentes categorias de Espíritos, como se dá na Terra com as raças e os povos.”

Isso tudo se explica apenas com uma palavra: AMOR!

Assim Jesus deixou seu legado e sempre vigorará, pois fez questão de afirmar que amar a Deus é amar ao próximo. E o que é a família senão a união de Espíritos próximos e afins!

O espírito Fénelon no capítulo onze do Evangelho Segundo o Espiritismo, item nove, afirma sobre a “Lei do Amor”: “O amor é de essência divina e todos vós, do primeiro ao último tendes no fundo do coração a centelha desse fogo sagrado.”

E no item oito, afirma: “O amor resume a doutrina de Jesus inteira, porque é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso feito.”

E complementa: “Feliz aquele que, ultrapassando a sua humanidade, ama com amplo amor os seus irmãos em sofrimento! Feliz aquele que ama, porque não conhece a miséria da alma nem a do corpo; seus pés são ligeiros e vive como que transportado, fora de si mesmo. Quando Jesus pronunciou a divina palavra – AMOR, os povos estremeceram e os mártires, ébrios de esperança, desceram ao circo.”

Fecho esta humilde compilação de recortes da Doutrina Espírita, sobre família, com um curto texto, que trata também a necessidade da FÉ em prática constante, trazendo a presença de DEUS no lar como forma de amparo e proteção, do Livro Constelação Familiar, Espírito Joanna de Ângelis, através do médium Divaldo Franco, no artigo “Família em Plenitude”:

Assim sendo, não se pode descartar a ausência de uma conduta espiritual no lar, de um nobre comportamento religioso, sem fanatismo, libertador, tolerante, entre os seus diversos membros, que sempre terão a quê recorrer, quando nos momentos difíceis ou nas situações penosas da vida terrestre.”
“Atingindo, desse modo, a situação de harmonia e de entrega dos filhos à sociedade, a família, alcançando a plenitude, torna-se modelo que servirá de estímulo para outros grupos humanos que se atormentam nas lutas diárias do lar, explodindo nos conflitos sociais das ruas e das comunidades por falta da harmonia que a educação moral e intelectual bem conduzida consegue realizar.”
“Bem-aventurado o arquipélago familiar onde Deus reúne os espíritos para a construção do amor universal, partindo do grupo consanguíneo, no qual predominam os impositivos da carne, para a expansão da solidariedade, do respeito, da harmonia e da verdadeira fraternidade entre todos os seres humanos!”

Cabe a reflexão:

“Enquanto família, consanguínea ou universal, cumprimos ou não os propósitos Divinos?”

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Dai de graça o que recebeste de graça.



Meus irmãos há muito venho me questionando sobre a prática da mediunidade em busca de benefícios pessoais ou até mesmo no propósito da auto divulgação.

Evidentemente que o nobre codificador não poderia deixar de nos abastecer com orientações neste contexto, visto que o próprio Jesus nos traz em suas passagens, quando de suas instruções aos discípulos, a forma correta de se comportar em torno deste assunto, a saber:

Está no Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo 26: Dai gratuitamente o que recebeste gratuitamente.

No item 1 temos: "Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, limpai os leprosos, expulsai os demônios. Dai gratuitamente o que recebestes gratuitamente." (Mateus, 10:8)

O Dom de curar é um ato divino, concedido por Deus àqueles que priori deveriam utilizar esta divina sensibilidade para o restabelecimento do equilíbrio psíquico/físico/espiritual aos que de alguma forma possam estar em estado de desarmonia. Daí a orientação do Mestre Jesus, conforme descrito por Mateus.

Acrescenta Alan Kardec em sua apreciação sobre esta passagem bíblica:

Dai gratuitamente o que recebestes gratuitamente, disse Jesus a seus discípulos. Por este ensinamento recomenda não cobrar por aquilo que nada se pagou; portanto, o que tinham recebido gratuitamente era o dom de curar as doenças e de expulsar os demônios, ou seja, os maus Espíritos; esse dom lhes havia sido dado gratuitamente por Deus para o alívio dos que sofrem, para ajudar a propagação da fé, e lhes disse para não fazerem dele um meio de comércio, nem de especulação, nem um meio de vida.”

Mas não satisfeito com o comportamento humano da época, que não nos parece distinto nos tempos de então, Jesus acrescenta mais ainda em torno deste tema:

“Disse em seguida a seus discípulos, na presença de todo o povo que o escutava: Guardai-vos dos escribas que se exibem passeando em longas túnicas, que adoram ser saudados em lugares públicos, de ocupar as primeiras cadeiras nas sinagogas e os primeiros lugares nas festas; que, sob o pretexto de longas preces, devoram as casas das viúvas. Essas pessoas receberão uma condenação mais rigorosa. (Lucas, 20:45 a 47; Marcos, 12:38 a 40; Mateus, 23:14)”

A referência desta passagem bíblica faz alusão aos que se sentem revestidos do poder de curar, fazer orações ou afastar os demônios e com isso sentem-se vaidosos por tal ação e ainda acham-se no direito de cobrar como se este DOM seja propriedade exclusiva e com isso pensam poder gozar dos benefícios, em se destacando dos demais, como sendo alguém especial. Cuidado com o orgulho e a vaidade, estas duas máculas da sociedade!

Kardec Alerta:

“Exigir pagamento por orar a Deus por outrem é transformar-se em intermediário assalariado.”

“Como sabemos, Deus não cobra pelos benefícios que concede. Como pode alguém, que nem mesmo é o distribuidor deles, que não pode garantir sua obtenção, pretender cobrar por um pedido que talvez nenhum resultado produza?”

E mais um exemplo da índole e caráter de Jesus se mostra no texto seguinte:

Vieram em seguida a Jerusalém, e Jesus, tendo entrado no templo, começou a expulsar de lá os que vendiam e compravam; derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombos; e não permitiu que ninguém transportasse qualquer utensílio pelo templo. Também os instruiu ao dizer: Não está escrito que minha casa será chamada casa de orações por todas as nações? E, entretanto, fizestes dela um covil de ladrões. Os príncipes dos sacerdotes, tendo ouvido isto, procuravam um meio de prendê-Lo; pois temiam-No, uma vez que todos estavam tomados de admiração pela sua doutrina. (Marcos, 11:15 a 18; Mateus, 21:12 e 13).”

Jesus mostra claramente que não estava preocupado com o julgamento que fariam de suas atitudes neste caso. Ele deixa claro que a fé não é mercadoria, que o cuidar do próximo tem que ser um ato de Caridade, de benevolência e de entrega plena. Como então utilizar um local destinado à oração e encontro com Deus para fins escusos?!

“A cada um segundo suas obras! (Romanos 2:6)”

Mas e no que tange a Mediunidade? É certo utilizá-la como forma de auto promoção? É justo se sentir diferenciado por saber ter mediunidade, a possibilidade de se comunicar com os desencarnados, de perceber suas presenças e ainda assim utilizar este mecanismo como forma de ser gratificado, como forma de pagamento, para seu uso pessoal? O que dizer então daqueles que tem dons magnéticos e os utilizam para prejudicar o outro, para desequilibrar a vida de alguém apenas pelo fato de não gostar, de ter algum desentendimento?

Assim está no Evangelho Segundo o Espiritismo no texto “Mediunidade Gratuita”:

“Os médiuns de agora – visto que também os apóstolos tinham mediunidade – receberam igualmente de Deus um dom gratuito: o de serem os intérpretes dos Espíritos para instruírem os homens, para lhes mostrar o caminho do bem e conduzi-los à fé e não para venderem palavras que não lhes pertencem, visto que não são o produto de suas concepções, nem de suas pesquisas, nem de seus trabalhos pessoais. Deus quer que a luz chegue a todos; não quer que o mais pobre seja deserdado dela e possa dizer: Não tive fé, porque não pude pagá-la; não tive o consolo de receber os encorajamentos e os testemunhos de afeição daqueles que  choro, porque sou pobre. É por isso que a mediunidade não é um privilégio, e se encontra por toda parte. Cobrar por ela seria desviá-la de seu objetivo providencial.”

“Quem conhece as condições em que os Espíritos bons se comunicam, a repulsa que sentem por tudo que é de interesse egoísta, e sabe quão pouco é preciso para os afastar, jamais poderá admitir que os Espíritos superiores esteja à disposição do primeiro que apareça e os convoque a tanto por sessão. O simples bom senso repele semelhante ideia.”

O destaque acima por si só já esclarece que a hipocrisia e a má conduta de alguns que utilizam a mediunidade de forma errada os afastam da assistência dos bons espíritos, pois somos uma forte energética e através de nós mesmos nos associamos aos bons, se formos bons, e aos maus, se o mal desejarmos.

Esclarecem mais os espíritos na codificação:

“Mediunidade séria não pode ser e jamais será uma profissão, não somente porque seria desacreditada moralmente, e logo se assemelharia aos que leem a sorte, mas também porque um obstáculo se opõe a isso. É que a mediunidade é um dom essencialmente móvel, fugidio, variável e inconstante. Ela seria, pois, para o explorador, um recurso completamente incerto, que poderia lhe faltar no momento mais necessário.”

“Aquele, pois, que não tem do que viver, que procure recursos em outros lugares, menos na mediunidade, e que apenas dedique a ela, se for o caso, o tempo de que possa dispor materialmente. Os Espíritos levarão em conta o seu devotamento e sacrifícios, enquanto se afastarão daqueles que esperam fazer da mediunidade um modo de subir na vida.”

O que nos falta então para agir conforme as orientações do Divino Mestre e dos Espíritos amigos?

Penso que a nossa conduta já define quem somos. Nossas atitudes, comportamentos, formas de agir e pensar.

Edgar Harmond no Livro Passes e Radiações afirma: 
“Referimo-nos aos esforços íntimos em relação aos hábitos, costumes, necessidades e outros aspectos da vida moral do indivíduo, destinados a mudar os seus sentimentos negativos, vencer vícios e defeitos, dominar paixões inferiores e conquistar virtudes espirituais, isto é, a reforma íntima.”

Devemos atentar constantemente para nossos hábitos e costumes. Observar se o certo que incutimos em nosso comportamento e forma de pensar é de fato o correto. Parar de agir como se nossas atitudes não refletissem sobre a vida dos outros. Combater o egoísmo, deixar de ser individualistas, arrogantes, orgulhosos e vaidosos.

Lembro então o Apóstolo Paulo: 
“Submetei todas as vossas ações ao controle da caridade e a consciência vos responderá. Não só ela evitará que pratiqueis o mal, como também vos levará a praticar o bem, já que não basta uma virtude negativa: é necessária uma virtude ativa. Para fazer o bem é preciso sempre a ação da vontade; para não se praticar o mal, basta muitas vezes a inércia e a indiferença.”

E assim chancela a máxima que todo cristão deve perseguir e praticar constantemente:

“FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO.”

É por isso que Jesus nos orienta “DAI DE GRAÇA O QUE DE GRAÇA RECEBESTE”.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

O Bem e o Mal


No Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo V, O Espírito Lacordaire, no texto “Bem e Mal sofrer”, afirma: “Poucos sabem sofrer. Poucos compreendem que somente as provas bem suportadas podem conduzir o homem ao reino de Deus”. E complementa: “Jesus vos disse muitas vezes que não se colocava um fardo pesado sobre ombros fracos, e sim que o fardo é proporcional às forças, como a recompensa será proporcional à resignação e à coragem. A recompensa será tão mais generosa quanto mais difícil tiver sido a aflição. Mas é preciso merecer a recompensa e é por isso que a vida está cheia de tribulações”.

Não podemos deixar de lembrar que a vida, em vários aspectos, nos parece um verdadeiro fardo. Pois nos remete a provas que muitas vezes, diante da intensa dificuldade que proporciona, sentimo-nos fragilizados e daí, consequentemente, nossa fé passa por um teste que não estamos prontos para superar.

Esta dicotomia que o Bem e Mal nos oferece, nos enfrentamentos da vida, sem dúvidas, traz-nos o inevitável amadurecimento, fato enriquecedor para o espírito, que somos nós, em processo de transformação e, por conseguinte, em situação de prova e expiação.

No Livro dos Espíritos, Kardec, na questão 132, pergunta: 
132. Qual o objetivo da encarnação dos Espíritos? 
“Deus lhes impõe a encarnação com o fim de fazê-los chegar à perfeição. Para uns, é expiação; para outros, missão. Mas, para alcançarem essa perfeição, têm que sofrer todas as vicissitudes da existência corporal: nisso é que está a expiação.

Diante deste fato, a questão nos alerta sobre o quanto necessitamos nos esforçar para alcançar a sublimação, mas claro que sem a inevitável entrega não lograremos êxito.

Ainda no Livro dos Espíritos, Kardec aprofunda o entendimento sobre o Bem e o Mal com as questões 629 a 646:
E no item 630, questiona:
Como se pode distinguir o bem do mal?
“O bem é tudo o que está conforme a lei de Deus; o mal, o tudo o que é contrário. Assim fazer o bem é proceder conforme a lei de Deus; fazer o mal é infringir essa lei.”

No Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo XVII, no item o Homem de Bem ,temos a elucidação dessa questão, a 630:
“O verdadeiro homem de bem é aquele que pratica a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza. Questiona sua consciência sobre seus próprios atos, perguntará se não violou essa lei, se não fez o mal, se fez todo o bem que podia, se negligenciou voluntariamente uma ocasião de ser útil, se ninguém tem queixa dele, enfim, se fez aos outros tudo o que gostaria que lhe fizessem.”

E analisando todos estes fatores, apresentados pelo espírito, não podemos deixar de atentar de quantas pedras deveremos retirar de nosso caminho, tantos obstáculos deveremos superar para alcançar este nível de perfeição, no combate diário, em nós mesmos, do bem e do mal que somos capazes de fazer.

A questão é:
Será que estamos prontos para tal desafio?

O Espírito Joanna de Ângelis, através do médium Divaldo Franco, no Livro Em busca da verdade, no capítulo que trata “O Bem e o Mal”, afirma:
“O Bem é tudo aquilo que contribui em favor da vida, do seu desenvolvimento ético e moral, a sua construção edificante e propiciadora de satisfações emocionais.”
E Complementa: “Necessário, no entanto, evitar confundir o de natureza física com a emoção de harmonia, de equilíbrio interior, de felicidade que se adquire por meio de pensamentos, palavras e ações dignificantes, não geradoras de culpa.”

Já sobre o Mal, afirma:
“O mal é tudo quanto gera aflição, que se transforma em problema, que trabalha pelo prejuízo de outrem e do grupo social, levando ao desconforto moral, à destruição.”

E alerta: “Por outro lado, o que pode parecer um mal para determinado indivíduo, proporciona-lhe o despertar da consciência, o caminho que o levará ao autoconhecimento.”

E eis que no contexto da análise psíquica, feita por Joanna de Angelis, acende-nos a luz de uma razão pura de nome “Consciência”. Pois justamente a nossa consciência que ira provocar o nosso despertar para as virtudes essenciais para uma vida equilibrada e em sintonia com Deus.

“O esforço para adquirir hábitos saudáveis conduz à conscientização dos deveres e às responsabilidades pertinentes à vida.” Livro Momentos de Consciência de Joanna de Ângelis – Divaldo Franco.

Todavia, os espíritos respondem a Kardec no item 642, algo muito relevante, quando questionados: 
642. Para agradar a Deus e assegurar a sua posição futura, bastará que o homem não pratique o mal? 
“Não; cumpre-lhe fazer o bem no limite de suas forças, porquanto responderá por todo mal que haja resultado de não haver praticado o bem.”

Não podemos nos isentar da ausência de ação quando o mal nos assola e simplesmente decidimos nos omitir diante da necessidade de realizar com toda força do nosso coração o tão necessário bem.

Alerta Humberto de Campos, através da mediunidade de Chico Xavier, no Livro Luz Acima, que somos compelidos ao ajuste e às reflexões cotidianamente através das sugestões dos Gênios do Bem e do Mal. Que enquanto um nos compele ao caminho para a luz eterna, o outro aproveita nossos desvarios e prisões materiais. Que se o Gênio do Bem nos convoca a renúncia, a humildade, ao perdão e a caridade, o outro luta por eliminar dos nossos sentimentos todas as virtudes e insinua a ambição, à covardia, ao ódio e à inveja.

Todavia, nesta luta cotidiana entre o que nutrimos como bem e mal, e se, somente se, optarmos por nossas fraquezas, inevitavelmente, dia Humberto de Campos, outro gênio, o da dor e do sofrimento nos visitará, de forma a nos ajustar e fazer-nos retomar o caminho da essência divina que Deus nos apresenta, que é AMAR sobre todas as coisas.

Pois é o AMOR que nos torna gentis, afáveis, amigos. O AMOR nos aproxima do Pai. O AMOR faz com que o BEM prevaleça sempre sobre o mal.

Então meus irmãos, deixemos brilhar a nossa luz!

Muita paz! 
Fernando Oliveira - 08/02/2017

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Influências Espirituais e suas consequências

Começo Trazendo o Livro dos espíritos, Capítulo 9, com a questão 459, onde temos o seguinte: 
Os Espíritos influem sobre nossos pensamentos e ações?
R – A esse respeito, sua influência é maior do que podeis imaginar. Muitas vezes são eles que vos dirigem.
Esta resposta nos remete a reflexão clara de que nunca estamos sóis e, por conseguinte, fica margem para outra questão: que tipo de companhia espiritual gostaríamos de ter?
E eis então a obsessão.
Allan Kardec define obsessão como “o domínio que alguns Espíritos podem exercer sobre certas pessoas” – Livro dos Médiuns, Capítulo 23.
Complementa informando que a Obsessão pode ser “Simples”, “Fascinação” ou “Subjugação”. Que trataremos mais adiante.
Todavia, o que nos faz sofrer a influência dos espíritos?
Devemos ter em mente que as influências espirituais têm diversos motivos, não apenas no âmbito da obsessão.
Temos que considerar a necessidade, fator essencial para o homem, da proteção daqueles que retornaram à pátria espiritual e assumiram diante do Pai o papel de amigo e conselheiro espiritual, como nossos Anjos Guardiões, Mentores Espirituais e até mesmo os nossos familiares que já entenderam os mecanismos de sublimação e estão além na escala de evolução moral.
São nossas ações que vão definir que tipos de companhias espirituais poderemos nos associar.
E é justamente pelo fato de não analisarmos adequadamente nossas decisões, que muitos espíritos encontram sintonia conosco e sentem-se em condição, de várias formas, nos conduzirem aos caminhos tortuosos do desequilíbrio, configurando assim o que é classificado como obsessão.
Manoel Philomeno de Miranda no Livro “Nos bastidores da obsessão”, no capítulo Examinando a Obsessão, afirma o seguinte:
“A obsessão, sob qualquer modalidade que se apresente, é enfermidade de longo curso, exigindo terapia especializada de segura aplicação e de resultados que não se fazem sentir apressadamente”.
O amigo espiritual, através da mediunidade de Divaldo Franco, nos traz um alerta sobre o fato que, mesmo que estejamos dispostos a realizar as mudanças indispensáveis ao equilíbrio, nenhuma ação obterá resultados imediatos tendo em vista que podemos estar compartilhando destes hábitos há muito tempo, e isto soma-se à nossa consciência e, certamente, ainda iludidos com os equívocos de nossos julgamentos, não consideramos, portanto, como algo importante a ser modificado.
E o escritor espiritual complementa: “Os tratamentos da obsessão, por conseguinte, são complexos, impondo alta dose de renúncia e abnegação àqueles que se oferecem e se dedicam a tal mister.”
Suely Caldas Schubert, no Livro “Obsessão e Desobsessão”, no capítulo sobre “As influenciações Espirituais”, afirma o seguinte:
“Assim, vamos encontrar desde a atuação benéfica de Benfeitores e amigos Espirituais, que buscam encaminhar-nos para o bem, até os familiares que, vencendo o túmulo, desejam prosseguir gerindo os membros de seu clã familial, seja com bons ou maus intentos, bem como aqueles outros a quem prejudicamos com atos de maior ou menor gravidade, nesta ou em anteriores reencarnações, e que nos procuram, no tempo e no espaço, para cobrar a dívida que contraímos.”
Lembra ainda, Suely Caldas, no capítulo seguinte, que “Uma simples vibração do nosso ser, a um pensamento emitido, por mais secreto nos pareça, evidenciamos de imediato a faixa vibratória em que nos situamos, que terá pronta repercussão naqueles que estão na mesma frequência vibracional. Assim, atrairemos aqueles que comungam conosco e que se identificam com a qualidade de nossa emissão mental.”
E este comentário me fez lembrar o ditado popular: “Me diga com quem andas que te direi quem tu és.”
Mesmo sendo um tanto conclusivo, sobre o texto que remete a uma séria avaliação, mesmo que precipitado, sobre nossas companhias, não se exterioriza aos olhos da carne a verdadeira índole, caráter ou essência espiritual de nenhuma pessoa. Muitos de nós somos questionados por nossas amizades e que, por sua vez, as pessoas passam a nos perceber como do bem ou do mal. Concluindo muitas vezes que pelas companhias que nós temos não somos dignos de sua amizade.
Nesta analogia, entendo que os espíritos se associam a nós pela nossa vibração, pelo nosso pensamento, pelas escolhas, consequentemente, passamos a entender que tipo de influência sofremos do plano espiritual.
E neste contexto, cabe elucidar como a obsessão ou influencia espiritual pode se configurar na vida comum. Lembramos então, as classificações das obsessões, descritas no Livro dos Médiuns, por Allan Kardec, a saber:
Obsessão Simples – acontece quando um espírito malfazejo se impõe a um médium, intromete-se, a seu mau grado, nas comunicações que recebe, impedindo-o de se comunicar com outros espíritos e se fazendo passar pelos que são evocados;
Fascinação – Tem consequências muito mais sérias. É uma ilusão produzida pela ação direta do espírito sobre o pensamento do médium que paralisa de algum modo sua capacidade de julgar as comunicações. O médium fascinado não acredita ser enganado: o espírito tem a arte de lhe inspirar uma confiança cega, que o impede de ver a fraude e de compreender o absurdo do que escreve, mesmo quando salta aos olhos de todos;
Subjugação – É uma atormentação que paralisa a vontade daquele que sofre e faz agir fora da sua normalidade. Está, numa palavra, sob um verdadeiro jugo;
A subjugação pode ser moral ou corporal. No primeiro caso, o subjugado é induzido a tomar decisões muitas vezes absurdas e comprometedoras, que, por uma espécie de ilusão, acredita serem sensatas; é uma espécie de fascinação. No segundo caso, o espírito age sobre os órgãos materiais e provoca movimentos involuntários. A subjugação corporal vai algumas vezes mais longe; ela pode levar aos atos mais ridículos.
Evidentemente, que em todos os casos temos a cura. Claro que, em se falando na companhia dos amigos espirituais, que querem nosso bem e nos guiar pelos caminhos do amor e da paz esta companhia será sempre bem vinda. Mas para os casos obsessivos precisamos procurar ajuda e a casa espírita é o local adequado para encontrar lenitivo para tal aflição.
Manoel Philomeno, ainda no Livro Nos Bastidores da Obsessão, nos dá uma simples receita:
“Iniciando o programa de recuperação, deve este esforçar-se de imediato para a modificação radical do comportamento, exercitando-se na prática das virtudes Cristãs, e principalmente, moralizando-se. A moralização do enfermo deve ter caráter prioritário, considerando-se que através de uma renovação íntima bem encetada, ele demonstra para o seu desafeto a eficiência das diretrizes que lhe oferecem como normativa de felicidade.”
Uma vez consciente da urgente necessidade de realizar a Reforma Íntima devemos, dentro da casa espírita, nos envolver com suas atividades e procurar aumentar sempre o nosso conhecimento das causas e efeitos, das múltiplas existências, e através das obras do nobre codificador e muitas outras enviadas pelos mensageiros da luz, a fim de nos elucidar e ajudar-nos no processo de autoconhecimento e o embasamento para como deveremos fazer nossa transformação moral.
Devemos então mudar nossa vibração, nossos pensamentos e nossas atitudes. Mas tudo isso só surtirá efeito se for plenamente verdade, pois como vimos os espíritos conseguem ver esta verdade que flui naturalmente do nosso espírito e, portanto, não os convenceremos se continuarmos alimentando ilusões a nosso respeito.
E assim, cabem cada vez mais, as orientações do Mestre Jesus que nos convoca a valorizar a ação generosa que o amor pode trazer para nossa vida, lembrando o mandamento maior: “Amareis o Senhor vosso Deus de todo o vosso coração, de toda vossa alma e de todo vosso espírito. E complementa: “Amareis o vosso próximo como a vós mesmos.” 
Esta é uma lição de caridade, para consigo, para com o próximo. E tendo consciência da importância que o AMOR tem para nossas vidas e das mudanças que ele pode nos provocar, favorecendo-nos e nos aproximando sempre mais de DEUS, posso afirmar que as influencias danosas de espíritos malfeitores sumirão e apenas os servidores do bem, da paz e do amor estarão ao nosso lado, os que são espíritos de luz, anjos e conselheiros espirituais e por consequência a única coisa que irá nos acontecer, é a principal proposta que o Pai lança sobre nós, o encontro com a plena FELICIDADE.

Que sejamos todos felizes!

Muita paz!

Fernando Oliveira.